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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Agosto - Maurício Zerk - Download

Por Elenilson Nascimento
Enfim, hoje é o lançamento oficial do CD do Maurício Zerk. O artista, que se considera um autodidata, que gravou a primeira demo em 2004 com a banda Via Dupla, que já participou de vários festivais de música, e que também já fez parte também dos grupos Fluxo Visceral, Conexão Urbana e da banda de rock UT Supra, além de participar do livro “Poemas de Mil Compassos” (2009), acaba de lançar o álbum “Agosto”. O disco já está disponível para audição na internet, onde Zerk deixa aos fãs a oportunidade de conhecer todas as faixas antes do lançamento em formato físico, programado para breve.
Depois de meses trabalhando nesse projeto, Zerk, enfim, lança de forma independente, esse seu primeiro álbum de carreira, depois de ter lançado vários singles na rede. “Agosto” é o projeto do cantor, músico, poeta, arranjador e compositor em que este último rótulo não pode ser aplicado assim de forma isolada. Zerk pisa em território muito conhecido por seus fãs, mas nem por isso menos desafiador. “Estou solto no mundo largo. Lúcido cavalo com substância de anjo que circula através de mim. Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios, absorvo epopéia e carne, bebo tudo, desfaço tudo, torno a criar, a esquecer-me: durmo agora, recomeço ontem”, escreveu em seu blog.
O disco abre com o melancólico-instrumental “Bob”, em seguida entra nos “desejos que se foram em você” de “Janeiro”, surge até sons de chuva em “Certos Planos”, violinos sonoros com batidas fortes de baterias em “Tudo Igual” (linda essa música!). Mas, se você pensa que acabou, o disco continua pulsando como sexo em “Bom Pra Você” (lembra muito Evanescence), na canção “No Caminho” que fala de perdas, carinhos e esperas, na forte “O Que Importa”.
E as baterias voltam a bater na faixa título “Agosto”, e na música que eu achei mais autobiográfica de todo o disco “Mais Um Dia”, adorável! E, enfim, o meu poema chega de mansinho, lindo e gritante em “Uma Visão Contemporânea”. Nem vou falar mais sobre o que o Zerk fez com ele, pois vão dizer que eu paguei. Mas ficou perfeito! Em “Olha Só” ele revela que não sabe dizer nada, mas ainda tem tempo de contemplar o dia. Mas o bônus track não poderia ter sido melhor: uma versão maravilhosa de “Ray Of Light” (eu amo essa música) de Madonna. Ficou fodaço!
O projeto demorou a sair pela dificuldade de tempo, equipamento e de compor compulsoriamente – compor para o artista como Zerk parece ser uma necessidade física – mas o resultado superou todas as expectativas. Recentemente, Zerk lançou também o single “Eu Queria Ser John Lennon” – clique aqui – que traz, com muito orgulho, na canção título desse trabalho um outro poema meu retirado do livro “Palavras Faladas Fadadas Palavras” (2002). Já esse novo álbum “Agosto” surge com doze faixas muito bem arranjadas e numa levada pop incrível. Por tanto, o cara tem talento. Pena que esse talento AINDA não esteja tocando nas rádios, mas, enfim, o cara não faz pagodes ordinários. Baixe o disco, confira e devore-o! É gostoso!

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3 comentários:

Farias disse...

Outro dia li um artigo falando que a produção artística brasileira estava um tanto quanto estagnada, sobrevivendo de regravações e releituras de obras consagradas. Quem escreveu essa asneira deve a meu ver está perdendo o poder de observação ou se alucinando na fumaça de uma pedra qualquer. Acredito que nunca se produziu tanto, pelo menos desde que eu saiba, nunca vi tanto filme, tanto livro, tanta poesia, tanta música brotando nesse chão onde se plantando tudo dá, tudo mesmo, desde o que se pode qualificar, até o que não merece sequer qualificação na escala do bom senso.
Que me perdoem os fãs do AXÉ, cujas letras. Puts... Eu falei letra? AXÉ??? Sem qualificação! Mas sigamos adiante. O fato é que a produção artística nacional vai de vento em popa. Vento que sempre sopra trazendo novidades, e dentre tantas novidades(ele é novidade pra mim, confesso que não conhecia seu trabalho), posso citar um soteropolitano que me impressionou.
Maurício Zerk é cantor, músico, poeta, arranjador, compositor e nos apresenta “Agosto” um CD de pop rock carregado de talento e poesia. Em “Agosto”, música que dá título ao CD, Maurício começa com uma batida ligeira e nos deixa na expectativa de que a qualquer instante iremos ouvir os atabaques baianos, mas os versos curtos e pausados logo nos dizem que a Bahia não é só percussão, que há poesia vestindo-se de som, som novo e do bom.
Ele também vestiu com maestria e bom gosto a faixa “Uma Visão Contemporânea”, excelente poesia do escritor, poeta e jornalista Elenilson Nascimento (*essa parceria vai dar o que falar), e nos fez encher os ouvidos com o casamento perfeito entre arranjo, música e letra.
Na faixa “Bom Pra Você”, uma letra que ínsita casada com um arranjo muito bom, e nos faz ficar ouvindo e cantando sem parar, é dessas músicas que ficam na nossa cabeça por muito tempo e quando menos se espera agente acorda cantando, e canta no carro, e canta no trabalho, como se ela nos fortalecesse pra enfrentar o dia todo.
Em “Certos Planos”, outra batida gostosa de ouvir e cantar há uma chuva que caí. Como que querendo lavar o “monossilabismo” e mau gosto dos axés e mostrando que a Bahia é berço da produção artística nacional.
Em “Olha Só” ele diz que não sabe dizer nada, mas acabou dizendo tudo, e disse com talento. Todas as demais faixas, arranjos e acompanhamento são também de excelente qualidade. Esse é o tipo do CD que menos um dia mais um dia, você vai se render. Não espere janeiro para ter e ouvir esse CD, porque esse “Agosto” vai se perpetuar no caminho, isso vai ser bom pra você, e o que importa de fato, é que ele traz uma visão contemporânea que em certo ponto pode parecer tudo igual, mas que na verdade não é, é algo novo. Vai lá, olha só como é bom e como tem talento o cara.

* Varley Rodrigues é um poeta e escritor cearense com um olhar crítico apurado e tem poesias e contos publicados em várias antologias e, entre as principais está os "Poemas Dispersos" (2006) e “Poemas de Mil Compassos” (2009), da “Coleção Literatura Clandestina”. Clique aqui e confira uma entrevista com o poeta. Contato: vfarias2005@hotmail.com

André Reis disse...

“‘Agosto’ explicita um questionamento acerca do que é esse amor, acerca de para onde ele nos leva e do que aconteceu com ele.”
Por André Reis*

Acabo de escutar “Agosto”, último CD do Maurício Zerk. Melhor dizendo, acabo de sorvê-lo, como sorvi a taça de absinto que me acompanhou, à meia-luz, deitado nas almofadas do tapete da minha sala. O que dizer de um CD cuja proposta é justamente inquietar, questionar, buscar, provocar, dizer algo tão intangível e indecifrável como o é o tema que percorre todo o CD – o amor?

“Agosto” explicita um questionamento acerca do que é esse amor, acerca de para onde ele nos leva e do que aconteceu com ele. E Zerk dá pistas desta inquietação o tempo todo. A faixa “Certos Planos” lança de pronto a questão: “O que há com nós dois?” E parece, ao longo do disco, que entender essa história a dois passa por um abrir-se ao diálogo, por um expor, sem receios, o que pensamos. Para quem sabe assim, nos conheçamos melhor. Conheçamos-nos, penso entender eu, na vertente tanto do autoconhecimento quanto na vertente da busca do conhecimento deste outro.

E não é assim que se constrói uma relação de amor? Baseada na franqueza, na sinceridade, às vezes cruel, da palavra? É o que Zerk traduz literalmente – “Preciso contar as histórias que nunca esqueci.” (“Tudo Igual”); “Sem medo, conte as coisas do seu coração.” (“Bom Pra Você”); “Me conte sobre você, o que nos interessa e o que há de acontecer.” ("No Caminho”) e “Eu preciso te dizer sobre as coisas que eu vivi.” (“Mais Um Dia”).



Uma tentativa de quebrar o silêncio que, às vezes, toma conta das nossas relações nestes dias contemporâneos, quando parece mais fácil, mais cômodo, manter-se cada um na sua concha. E o jantar a dois no restaurante acaba tendo como único som à mesa o barulho nervoso dos talheres tocando nos pratos, do palito de dente ao quebra-se ou do guardanapo sendo amarrotado nervosamente quando tudo que cada um mais deseja é voltar para casa e ligar a TV, o computador e fugir deste convite à conversa, à palavra.

Ao final de “Agosto”, me veio à mente Renato Russo: “Vai, se você precisa ir. Não quero mais brigar esta noite. Nossas acusações infantis e palavras mordazes que machucam tanto. Vai, clareia um pouco a cabeça, já que você não quer conversar. Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV. Sei que existe alguma coisa incomodando você. Meu amor, cuidado na estrada. E quando você voltar, feche o portão, tranque as janelas, apague a luz e saiba que te amo”. Mas como saber se não se dizer? Mas como saber se não ouvir? “Agosto” é um CD sobre o amor. Mas mais que isso, “Agosto” é um CD que nos provoca a dizer e a ouvir. E a buscar assim, entender esse tal amor.

E. Nascimento disse...

Por Elenilson Nascimento
Enfim, hoje é o lançamento oficial do CD do Maurício Zerk. O artista, que se considera um autodidata, que gravou a primeira demo em 2004 com a banda Via Dupla, que já participou de vários festivais de música, e que também já fez parte também dos grupos Fluxo Visceral, Conexão Urbana e da banda de rock UT Supra, além de participar do livro “Poemas de Mil Compassos” (2009), acaba de lançar o álbum “Agosto”. O disco já está disponível para audição na internet, onde Zerk deixa aos fãs a oportunidade de conhecer todas as faixas antes do lançamento em formato físico, programado para breve.
Depois de meses trabalhando nesse projeto, Zerk, enfim, lança de forma independente, esse seu primeiro álbum de carreira, depois de ter lançado vários singles na rede. “Agosto” é o projeto do cantor, músico, poeta, arranjador e compositor em que este último rótulo não pode ser aplicado assim de forma isolada. Zerk pisa em território muito conhecido por seus fãs, mas nem por isso menos desafiador. “Estou solto no mundo largo. Lúcido cavalo com substância de anjo que circula através de mim. Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios, absorvo epopéia e carne, bebo tudo, desfaço tudo, torno a criar, a esquecer-me: durmo agora, recomeço ontem”, escreveu em seu blog.
O disco abre com o melancólico-instrumental “Bob”, em seguida entra nos “desejos que se foram em você” de “Janeiro”, surge até sons de chuva em “Certos Planos”, violinos sonoros com batidas fortes de baterias em “Tudo Igual” (linda essa música!). Mas, se você pensa que acabou, o disco continua pulsando como sexo em “Bom Pra Você” (lembra muito Evanescence), na canção “No Caminho” que fala de perdas, carinhos e esperas, na forte “O Que Importa”.
E as baterias voltam a bater na faixa título “Agosto”, e na música que eu achei mais autobiográfica de todo o disco “Mais Um Dia”, adorável! E, enfim, o meu poema chega de mansinho, lindo e gritante em “Uma Visão Contemporânea”. Nem vou falar mais sobre o que o Zerk fez com ele, pois vão dizer que eu paguei. Mas ficou perfeito! Em “Olha Só” ele revela que não sabe dizer nada, mas ainda tem tempo de contemplar o dia. Mas o bônus track não poderia ter sido melhor: uma versão maravilhosa de “Ray Of Light” (eu amo essa música) de Madonna. Ficou fodaço!
O projeto demorou a sair pela dificuldade de tempo, equipamento e de compor compulsoriamente – compor para o artista como Zerk parece ser uma necessidade física – mas o resultado superou todas as expectativas. Recentemente, Zerk lançou também o single “Eu Queria Ser John Lennon” – clique aqui – que traz, com muito orgulho, na canção título desse trabalho um outro poema meu retirado do livro “Palavras Faladas Fadadas Palavras” (2002). Já esse novo álbum “Agosto” surge com doze faixas muito bem arranjadas e numa levada pop incrível. Por tanto, o cara tem talento. Pena que esse talento AINDA não esteja tocando nas rádios, mas, enfim, o cara não faz pagodes ordinários. Baixe o disco, confira e devore-o! É gostoso!

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